Trilha Vocacional

1.    Busque compreensão e discernimento na Palavra. Estude a Palavra de Deus. Leia a história de Paulo e outros chamados pelo Senhor. Busque na Bíblia o tesouro que irá encher o seu coração de convicção, direção e perseverança. A Palavra nos desperta, anima e mostra o caminho.

2.    Converse com seu líder ou pastor. Em Atos 13, Deus falou com a igreja em Antioquia sobre o envio de Paulo e Barnabé. Abra o coração para o seu pastor sobre o chamado de Deus em sua vida e o convide a orar com você por isto. No caso de pastores ou igrejas com pouca visão missionária, invista em suas vidas. Dê ao seu pastor um bom livro, vídeo ou dica de um congresso através do qual Deus poderá tocar seu coração para que sua igreja se torne enviadora e missionária.

3.    Passe pelo crivo de um trabalho local. Se Deus o tem chamado para o ministério, não há lugar melhor para iniciar esta caminhada do que a igreja local. Pregue, sirva, evangelize. Envolva-se com algum ministério local que tenha mais afinidade com o chamado de Deus para você. Ofereça-se para participar e envolva-se de coração. Seja uma bênção perto.

4.    Prepare-se. O preparo fundamental é a sua vida com Deus e a sua vida devocional. A igreja local também é fonte de preparo, pois ali aprendemos os fundamentos da fé cristã e muito mais. Para o ministério, é também necessário preparar-se em um centro teológico, missiológico ou missionário. Se Deus o tem direcionado para um trabalho fora da sua cultura, você precisará de um preparo antropológico e linguístico. Prepare-se, pois Deus usa tudo o que aprendemos.

5.    Aproxime-se de uma agência missionária. As agências missionárias possuem uma grande experiência no acompanhamento de vocacionados. Elas podem lhe dar preciosas orientações e também ligá-lo a outras pessoas que estão na mesma caminhada. Conhecem também os campos onde atuam e podem lhe indicar o melhor preparo antes de partir. É bom não estar só.

6.    Parta. Creio que alguém está de fato indo para o ministério, especialmente pensando em campos missionários, quando vende os seus móveis. Não é fácil partir. Busque de Deus a direção, bem como as forças para partir na hora certa. A caminhada com Deus é repleta de partidas, como aconteceu com Abraão, Moisés e Jacó. Partimos pela fé, sabendo que Aquele que nos envia também nos sustentará.

7.    Persevere. O ministério é uma maratona que requer determinação e perseverança. Haverá na sua jornada ministerial dias bons e dias maus. Dias em que se sentirá encorajado, apoiado, suprido e amado. E outros em que se sentirá só e desalentado. É necessário manter os olhos em Jesus Cristo, Senhor da sua vida e autor da sua vocação. Paulo nos ensina a nos fortalecermos no Senhor e na força do Seu poder para resistirmos no dia mau (Ef. 4.11) permanecendo, ao fim, inabaláveis (v.13). A força do seu ministério não está em sua própria habilidade, competência, sustento ou igreja enviadora, mas no Senhor. Ele – e somente Ele – o levará até o fim.

Minha sincera oração é que Deus lhe dê discernimento para saber o seu próximo passo e perseverança para não desistir ao longo do caminho.

A história de Adoniran Judson é um exemplo de discernimento e perseverança. Ele sonhava e se preparou para ir para a Índia empenhando-se neste propósito. Deus tinha outros planos e o enviou para a Birmânia, atual Myanmar. Chegou naquele país ainda não evangelizado em 1813 e permaneceu até 1831.

Foi um dos missionários que mais suportou provações em sua vida – e perseverou. No primeiro ano, ainda aprendendo o birmanês, escreveu um panfleto intitulado Quem é Jesus. E ali reproduziu diversos versos bíblicos sobre Jesus Cristo, reproduziu os panfletos e os distribuiu aos que sabiam ler, mas não foram bem recebidos. Nos anos seguintes, Judson perde a sua esposa e dois de seus filhos. Ele é encarcerado três vezes e também torturado, sendo pendurado de cabeça para baixo e também forçado a andar por sobre brasas. Mesmo assim, não desistiu.

Mais adiante, passa a ser confrontado também por seus próprios amigos da igreja que o enviara, perguntando pelos frutos do seu trabalho, que ainda não eram visíveis. Ao longo dos quase 18 anos de ministério, ele diz que enfrentou uma angústia continuada por quase 10 anos. Certamente, tratava-se de uma depressão, sem diagnóstico certo naquela época.

Combalido pelas provações, não deixa de pregar o Evangelho até encontrar um birmanês que dizia ser crente, pois se convertera lendo o panfleto que ele escrevera no primeiro ano de ministério, sobre quem é Jesus. A partir daquele momento, Deus começa a derramar graça e converter dezenas, centenas e milhares de birmaneses. Ao fim do seu ministério, Adoniran Judson deixou a Birmânia com 63 igrejas plantadas e mais de 200 líderes nativos treinados na Palavra.

Hoje, a Birmânia é chamada por outro nome: Myanmar. Este é um dos países mais fechados para a evangelização ou entrada missionária. Algo curioso nas estatísticas é que Myanmar, mesmo sendo tão fechado para as ações missionárias, abriga hoje quase quatro milhões de cristãos. Anos atrás, alguns pesquisadores conseguiram entrevistar diversos destes cristãos no país, perguntando-lhes quem os levou a Cristo. A resposta era sempre a mesma: “os nossos pais”. Ao serem interpelados sobre quem levou seus pais a Cristo, eles respondiam: “os nossos avós”. E assim seguiam respondendo, lembrando as gerações passadas, até chegarem ao início do século 19 quando um homem, mesmo perante as angústias da vida e provações do ministério, decidiu obedecer.

A vida de Judson inspirou milhares de outras ao longo dos séculos. Uma delas foi Jim Elliot, missionário entre os Auca nos anos 50. Encorajado pelo exemplo de Judson, ele escreve em uma de suas cartas: “viva de tal forma que, ao chegar o dia da sua morte, nada mais tenha a fazer a não ser morrer”. Deus nos abençoe a fazer o mesmo.

Não vá – seja enviado

Após uma amadurecida convicção do chamado ministerial, envolvimento com o que está ao nosso redor e bom preparo missionário é momento de seguir. Este é o momento em que a maioria dos erros acontece, pois a amplitude de relacionamentos (família, igreja local, denominação, agência missionária, centro de treinamento e campo) pode – se não houver boa orientação –  tornar-se conflitante.

Vivemos épocas em que muitos missionários desejam caminhar de forma independente, sem serem enviados por uma igreja local e sem prestar contas a alguma liderança. Parece-me que a Bíblia dá muita importância ao papel da igreja local no envio missionário. Em Atos 13, lemos que a igreja em Antioquia estava orando e jejuando, ouviu a voz do Espírito Santo e impôs as mãos enviando Paulo e Barnabé (v. 1-3).

A imposição de mãos possuía um significado específico entre romanos e gregos no primeiro século. Compreendê-lo também nos levará a perceber a responsabilidade de enviar e o privilégio de ser enviado.

Sinal de autoridade. Esse “impor de mãos” em Atos 13 remonta ao grego clássico quando um pai impunha suas mãos sobre o filho que lhe sucederia na chefia da família, ou seja, uma transferência de autoridade. Para Paulo e Barnabé, isso significava que eles possuíam a autoridade eclesiástica para fazer o que a igreja faria, mesmo onde ela não estivesse presente como comunidade. É, portanto, ao mesmo tempo uma carga de autoridade e responsabilidade. Eles poderiam pregar a Palavra, orar pelos enfermos e confrontar os incrédulos com o Evangelho, mas ao mesmo tempo precisariam também compartilhar da mesma fidelidade e dedicação que existia naquela comunidade dos santos em Antioquia.

Sinal de reconhecimento. A imposição de mãos também era usada em momentos oficiais como na cidade de Alexandria, quando vinte oficiais foram escolhidos para guardar a entrada da cidade que sofria com frequentes ataques de nômades, e sobre eles foram impostas as mãos em sinal de reconhecimento de que eram dotados das qualidades para aquela função. Para Paulo e Barnabé, consistia no fato de que a liderança da igreja reconhecia não apenas o chamado (que era claro), mas também a capacidade e dons para cumprirem a missão.

Sinal de Cumplicidade. Encontramos também no grego clássico o “impor de mãos” no sentido de cumplicidade, quando generais eram enviados a terras distantes para coordenar uma província e as autoridades enviadoras impunham as mãos demonstrando ao povo que eles não seriam esquecidos. Ou seja, permaneciam como parte do corpo mesmo não estando entre eles. Para Paulo e Barnabé, significaria dizer que, por mais distantes que fossem, permaneceriam ligados à igreja de Antioquia, que essa igreja continuaria responsável por eles, amando-os, desejando o melhor e sustentando-os em suas necessidades.

A meu ver, impor as mãos como sinal de autoridade e reconhecimento não é tão difícil como as impor em sinal de cumplicidade, pois esse último é um ato contínuo que demanda dedicação e profundo amor.

Aos vocacionados ao ministério, eu aconselho: não vá, seja enviado. Envolva-se com uma igreja local a fim de que ali o seu chamado e dons sejam reconhecidos, a voz do Espírito seja ouvida e você seja enviado.

Entendo também que a crise de muitos vocacionados é justamente a falta de sensibilidade e visão da própria igreja local ou de sua liderança perante o seu chamado. Muitos aguardam um apoio que nunca chega, o que lhes traz frustração e desencorajamento. Um bom passo, neste caso, além de orar para que Deus abra os olhos do seu pastor e líderes, é investir em suas vidas. Tenho visto muitos pastores com uma visão missionária aberta após ter recebido de presente um bom livro sobre o tema. Outros foram tocados por Deus e tiveram a visão alargada após ouvirem palestras em CDs e DVDs que tratavam do assunto. Tenho também encontrado pastores e líderes que têm sido abençoados ao terem a oportunidade de participar de congressos com foco missionário. Invista na liderança da sua igreja local.

Agências missionárias

Apresentamos a você uma lista (não exaustiva) de agências missionárias com alguns focos de atuação. Procure informações em seus sites, contate missionários filiados às mesmas, leia suas declarações de fé, busque direção de seus líderes e, sobretudo do Senhor, para este próximo passo.

Clique aqui e conheça a nossa lista de AGÊNCIAS MISSIONÁRIAS (filiadas à AMTB)